Palavra do Provincial

Frei Andre Tavares.jpeg

Fraternidade Exigente

 

Há pessoas que costumam confundir fraternidade com uniformidade ou com mesmo ausência de conflitos. Isso se torna mais forte na chamada “pós-modernidade”, cuja fuga de confrontos é uma das características. As divergências constituem a vida fraterna; contudo, não devem ser acompanhadas de violência.

Sob o falso pretexto de “respeito”, deixamos de lado práticas evangélicas como a correção fraterna. Tal “respeito” (falso nome para uma verdadeira indiferença) não pode permitir que toleremos que nosso confrade, que fez profissão religiosa pública, por exemplo, desrespeite seus votos. A indiferença faz com que deixemos irmãos e comunidades perecer, com escolhas e comportamentos anti-evangélicos. Contudo, só teremos condições de sermos fraternos se a meditação do evangelho, a oração e a vida sacramental forem nosso alimento. De contrário, nossos conventos tendem a se tornar “repúblicas de solteirões”, ou lugares onde a pouca fraternidade nos faz buscar fora o que já não cremos mais encontrar em casa.

O teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer dizia que no cristianismo o outro é para nós “um peso”. Não se trata de uma afirmação negativa; para nós cristãos, o próximo é alguém com quem nos importamos, que queremos que evolua, segundo a vocação que abraçou. E isso, várias vezes, exige que discutamos e nos corrijamos. Logo, por mais diferentes que sejamos uns dos outros, quando realmente nos importamos com aqueles que chamamos de irmãos, temos aí um claro sinal de verdadeira fraternidade, bem mais eloquente um “respeito” indiferente, cuja falsa paz não é fruto da caridade.

fr. André Luis Tavares, OP
prior provincial

Notícias

 
 

Calendário

Vocação Dominicana

predelle_edited_edited.jpg

Ordem dos Pregadores

"Contemplar e levar aos outros o contemplado"

STh II-II, q. 188, a. 6, r.