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IV Semana Social Brasileira
Terminou domingo, 19/11, em Brasília, o seminário
Nacional e última etapa da 4ª Semana Social Brasileira, 4ª
SSB.
Agora que terminou a 4ª SSB é hora de retomar com força
o Mutirão por um novo Brasil assumindo os compromissos sobretudo
o da articulação das forças sociais e o da formação.
A quarta semana decidiu que se deve apostar no processo da Assembléia
popular tanto em âmbito nacional, quanto regional e local. Definiu
ainda a necessidade de fortalecer a formação dos atores
sociais e das novas lideranças. A CPT também precisa somar
forças junto aos outros parceiros para a realização
do plebiscito pela anulação do leilão da Vale do
Rio Doce e nas diferentes campanhas em andamento, como a da Fraternidade,
a da Auditoria da Dívida, a da redução das tarifas
de energia e outras.
4ª SEMANA SOCIAL
CNBB e pastorais devem engrossar mobilizações sociais
Evento ligado à Igreja Católica reforça posição
dos movimentos sociais de pressão por avanços no combate
às desigualdades. Ministro Luis Dulci garante que o presidente
Lula deve receber setores populares até final do ano.
Jonas Valente - Carta Maior
SÃO PAULO - Desde o início dos anos 90, o setor progressista
da igreja católica (as diversas pastorais, dioceses e movimentos
laicos) vêm promovendo um conjunto de mobilizações
chamadas de semanas sociais para debater problemas do país como
a dívida social, a soberania, e a distribuição de
renda. Neste fim-de-semana, um seminário em Brasília marcou
o encerramento da quarta edição da Semana Social, que teve
como tema a construção de um Mutirão por um Novo
Brasil. O próximo passo desta construção, segundo
concluíram os presentes, passa agora pela necessidade de endossar
as grandes iniciativas populares do próximo período.
Finalizando em um momento de transição entre o 1º e
2º mandatos presidenciais de Lula, a 4a Semana Social avaliou a experiência
dos últimos quatro anos para apontar como desafio a construção
de um novo país como um processo que não pode se reduzir
à análise das ações do governo federal. "Cada
um saiu do seminário convicto que, de um lado, não se pode
colocar tudo na conta do governo, há que se continuar um mutirão
por um novo Brasil", diz Dom Demétrio Valentini, coordenador
da 4a Semana Social e presidente da Cáritas. Este mutirão
se baseia na busca pela inversão que norteiam a sociedade brasileira
hoje. "Um terço da população está abaixo
da linha da pobreza, temos que ter um projeto de desenvolvimento que não
privilegie só o capital, mas a dignidade das pessoas, que dê
trabalho para todos e educação de qualidade", defende
Dom Geraldo Majella, presidente da Confederação Nacional
dos Bispos do Brasil (CNBB).
A visão "governocêntrica" dá lugar agora
a uma linha voltada ao fortalecimento da ação dos movimentos
sociais, aos quais as entidades da jornada agora vão intensificar
sua inserção em suas campanhas e iniciativas. A principal
delas é a Assembléia Popular, espaço resultante da
união da 4a Semana com as mobilizações de movimentos
campesinos e de organizações ligadas à campanha contra
a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). "A
semana como tal se encerrou mas encontramos pistas de articulação.
A principal delas é valorizar a nova realidade que se criou com
a Assembléia Popular. Esperamos suscitar assembléias locais
e regionais não só no âmbito das cúpulas, valorizando
os fóruns dos movimentos e suas iniciativas", explica D. Demétrio
Valentini.
Segundo a coordenação da 4a Semana, a primeira iniciativa
a ser apoiada será a mobilização pela anulação
do leilão da empresa Vale do Rio Doce. A idéia das entidades
é somar-se a esta mobilização, definida como uma
das prioridades na plenária nacional da Assembléia Popular
realizada na última semana também em Brasília e que
deve resultar em um plebiscito popular sobre o tema. "Abraçamos
esta iniciativa pela importância que tem esta empresa. Queremos
discutir qual o papel social das empresas e como o Brasil precisa repensar
o seu patrimônio", continua o coordenador da 4a Semana. Ele
cita também outras mobilizações definidas como prioridades
no âmbito da Assembléia Popular que serão fortalecidas
pelas entidades da jornada, como a campanha pela redução
da tarifa energética e pela valorização do salário
mínimo.
Seguindo movimento capitaneado pela CNBB durante o período
eleitoral, as lideranças da semana incluíram nos temas a
serem trabalhados a reforma política. "A corrupção,
este mal, deve ser atacado pois pode levar à destruição
da democracia se o povo perder confiança na política",
indica D. Geraldo Majella. "Se as semanas sociais são projeto
de longo prazo, uma tarefa urgente é avançar na democracia
participativa", continua D. Aldo Pagotto, outra liderança
do processo. Segundo Pagotto, a reforma política se apresenta como
pauta emergencial para combater o problema da corrupção
e ao mesmo tempo mudar o processo decisório do Estado brasileiro
para que a sociedade organizada possa influir nas decisões tomadas
não somente na escolha de seus governantes em época de eleições.
Conversa franca
Durante o seminário, a coordenação da 4a Semana recebeu
um convidado ilustre, o ministro da Secretaria Geral da Presidência
da República, Luiz Dulci. Como integrante do governo designado
para a interlocução com a sociedade organizada, Dulci foi
ouvir as pautas das entidades. Segundo D. Demétrio Valentini, foi
uma conversa franca na qual os representantes da jornada apresentaram
sua pauta e ouviram do ministro as possibilidades de encaminhamento das
bandeiras. "Foi bom para compor o cenário da sociedade brasileira,
confrontar o país que queremos com as limitações
concretas que a vida real nos impõe", relata Valentini. Ao
final, Dulci informou que o presidente Lula está em período
de conversas com os partidos, mas que deve receber os movimentos sociais
até o final do ano para um debate sobre o 2º mandato.
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