"O pior analfabeto
é o analfabeto
político."
(Bertold Brecht) |
Em todo país já estamos em plena campanha
política para a escolha dos futuros prefeitos e vereadores de nossos
municípios.
Ainda que tantas vezes maçante, essa campanha tem seu valor e pode
ajudar o eleitor no discernimento de seu voto, desde que seja encarada
com espírito crítico.
No intuito de despertar esse espírito crítico, retomo aqui
uma minha reflexão inspirada numa conhecida página do escritor,
poeta e teatrólogo alemão, Bertold Brecht (1898-1956), que
encontramos assim traduzida: "O pior analfabeto é o analfabeto
político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do
sapato e do remédio, dependem das decisões políticas.
O Analfabeto político é tão burro que se orgulha
e estufa o peito, dizendo que odeia a política. Não sabe
ele que de sua ignorância nasce a prostituta, o menor abandonado,
o assaltante e o pior de todos os bandidos que é o político
vigarista, pilantra, o corrupto e o explorador das empresas nacionais
e multinacionais."
Tomando a liberdade de continuar e explicitar essa página de Brecht,
perguntamos: Quando alguém pode ainda ser considerado analfabeto
político?
- Quando de antemão condena a política, considerando-a desnecessária
em sua vida, esquecendo-se de que é a ciência do bem comum.
- Quando, como cristão, separa a fé da política,
como se fé não fosse exigência do bem comum e de vida
digna para todos.
- Quando fica indiferente diante dos graves problemas que afligem nosso
povo (fome, moradia, educação, saúde, desemprego,
etc.), não se empenhando na transformação da sociedade.
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- Quando passivamente se deixa levar, sem nenhum questionamento, pela
propaganda política veiculada pelos Meios de Comunicação
Social.
- Quando não se sente indignado e não protesta contra os
desmandos, falcatruas e corrupções dos falsos políticos.
- Quando vota movido por simpatia, olhando as aparências, sem levar
em conta a seriedade política do candidato, seu passado e seu presente
e o conteúdo mínimo de suas propostas.
- Quando vota por mera tradição de família ou partidária,
sem olhar o algo novo e bom que pode estar sendo proposto por um outro
partido.
- Quando vota em candidatos somente porque lhe oferecem favores. Está
vendendo seu voto, vendendo sua própria dignidade humana.
- Quando se deixa levar pela conversa bonita dos cabos eleitorais e marqueteiros
ou pela demagogia dos candidatos.
- Quando persiste em votar: nos políticos que querem eleger-se
visando ao seu interesse particular e pouco preocupados com o bem comum
de sua cidade.
O analfabetismo político, como um mal social, deve ser erradicado
de um município em vista de seu bem estar comum. Isso depende do
esforço de cada um, das Escolas, dos Meios de Comunicação
Social, das Igrejas, das Entidades Civis e Sociais, dos Movimentos Populares,
das ONGs, como também dos verdadeiros políticos.
Havendo esse esforço comum e conjugado pode surgir, quem sabe,
um verdadeiro Mutirão pela Superação do Analfabetismo
Político, como importante exercício coletivo da cidadania.
Frei Lourenço
Maria Papin, OP
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