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A GUERRA DO IRAQUE E A LUTA PELA PAZ NO MUNDO - Por que devemos continuar protestando? A Guerra do Iraque, como muito se disse até aqui, é uma vergonha para a humanidade. Não apenas pela Guerra em si, já que esse poderia ser simplesmente um fato isolado na história, como tantos outros. Mas porque ela é resultado de um sistema que grande parte da humanidade vem construindo até aqui: um sistema político de exclusão e de violência, de miséria e de desigualdades sociais, de imposição e desrespeito cultural, de intolerância religiosa e fundamentalismo político. A Guerra do Iraque é uma vergonha porque é resultado de um sistema político que grande parte da humanidade está financiando: o sistema neoliberal, imperialista, baseado numa falsa democracia e num pesudo-discurso de igualdade e respeito à dignidade, ao ponto de usar o nome de Deus em vão (que maior pecado seria possível contra o segundo dos dez mandamentos, conforme Ex 20!). De um lado, o bem, de outro o mal. Ambos estabelecidos a partir de uma imposição, de um fundamentalismo teológico que está por trás desta Guerra absurda e que espalha suas vítimas inocentes pelas ruas das cidades iraquianas que vivem seu inferno desde o último dia 20 de março. A Guerra contra o Iraque, entretanto, não começou no dia 20 de março, mas já vinha sido anunciada sem que ninguém pudesse fazer nada para impedi-la. A Guerra começou quando o Demônio da Guerra nasceu e foi crescendo com a nossa omissão ou com a ação de muitos governos, muitos dos quais hoje contra a Guerra. A Guerra começou quando o mundo abriu caminho para que o demônio norte-americano crescesse paulatinamente, até que fosse forte o suficiente para devorar a todos nós, impassíveis, como fez em Ruanda, no Kosovo, em toda a América Latina, na Iugoslávia e no Iraque, agora pela segunda vez. Por isso, essa Guerra pode ser um tiro pela culatra no modelo de sociedade imposta pelos Estados Unidos como o melhor, o mais perfeito, o mais democrático. Com a desculpa de derrubar um tirano e por trás, dominar o petróleo e impedir o avanço do Euro, a moeda européia os senhores da guerra saltam eles próprios para os mesmos tronos tirânicos. E tudo em nome de uma democracia falsificada, com gosto de coca-cola e cheiro de sangue. A democracia norte-americana não é, em absoluto, o verdadeiro modelo de soberania popular, princípio básico deste regime político. Impor este modelo sobre outros países, além de ferir a liberdade e a autonomia de cada nação é, no mínimo, uma asneira que teria como pior conseqüência a auto-supressão da democracia, ameaçada e descredibilizada pela falsidade de um modelo que se quer absoluto, como é o caso dos Estados Unidos. Talvez, por tudo isso, o mundo esteja contra esta Guerra. Porque tenha se dado conta, a partir do Fórum Social de Porto Alegre, que de fato um outro mundo é possível, um mundo baseado numa verdadeira participação popular e onde o povo esteja no centro das decisões políticas. Os milhões que somos hoje nas ruas do mundo não impedimos a Guerra, mas talvez tenhamos contribuído para explicitar a face deste demônio disfarçado de deus. Por isso as mobilizações pela paz devem continuar: porque elas ajudam a revelar o rosto de milhões de pessoas que pensam num outro mundo, construído aqui e agora sob novos patamares políticos e éticos, evangélicos e econômicos. E pouco a pouco o sistema que gera a guerra (o neo-liberalismo e o imperalismo) vão dando lugar a sociedades mais justas e democráticas, infelizmente sobre o sangue de milhares de irmãos e irmãs iraquianos, há mais de dez anos.
JELSON OLIVEIRA |