No prédio ao lado do Santuário Nossa Senhora de Fátima funcionou, por quase cinco décadas, a Escola Apostólica Dominicana Santa Catarina de Sena. Todos os freis que passaram pelas igrejas de Santa Cruz nos últimos anos foram formados naquele seminário. O prédio foi inaugurado em 1944, mas a escola funcionou desde 1938 em outro local. Formou dois bispos: dom Celso Pereira de Almeida (santa-cruzense) e dom Alonso Maria Pena. Aproximadamente 20 padres concluíram o curso, apesar de quase dois mil jovens terem estudado no local. Nascido em Bernardino de Campos, frei Lourenço Maria Papin foi um dos estudantes. Pesquisando nos arquivos do prédio e nas antigas publicações da revista “Apostolado da Verdade”, Papin encontrou muitas histórias do local.
Ele relata que o prédio da escola apostólica foi construído entre 1941 e 1944, em meio à Segunda Guerra Mundial e, por isso, com muita dificuldade. Os construtores foram os freis Henrique Sbrogió e Guala Funari. O arquiteto foi o italiano Angelo Denti.
Uma curiosidade, segundo Papin, era que o local escolhido seria próximo à igreja de São Benedito. A pedido do então prefeito Leônidas Camarinha, a construção foi feita na área atual. “Era tudo mato, mas o prefeito tinha a intenção de fazer as escolas nesta área para trazer o crescimento da cidade. A construção ajudaria seu projeto e, por isso, ele convenceu o frei e doou o terreno”, conta.
Papin revelou que os operários eram todos da cidade e a comunidade ajudou na obra. Por conta da guerra, o material era escasso. Sem ferro para a estrutura do prédio, um cabo de aço da linha ferroviária Santos-Jundiaí, que estava na secretaria de Obras do Estado, foi doado. “Eles desenrolaram esse cabo, cortaram e utilizaram na obra. Recentemente quando fizemos um reforço na fundação, os construtores se assustaram quando viram aquele aço sustentando as vigas”, relata.
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Desenho a bico de pena do frei Venturino mostra fundo da igreja e a Escola Apostólica Dominicana
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Toda a madeira utilizada na construção foi levada de carro de boi de pequenas matas da região. “Eram cedidas pelos sitiantes. São madeiras de lei que não se encontram mais. O Guala ficou muito conhecido no meio rural como o frei que aprendeu a andar de carro de boi. Era ele quem buscava as madeiras”, relata Papin.
Antes da construção da escola, os freis dominicanos, que vieram da Itália em 1936, ficavam em uma casa alugada próxima à igreja São Benedito. Desta época até o fechamento da escola apostólica, por volta de 1990, passaram quase dois mil alunos pela instituição. Segundo Papin, a maioria eram garotos que desistiam depois de alguns anos. Outros concluíam os estudos e se tornavam freis, mas não faziam a ordenação para padre — são os chamados “irmãos cooperadores”. Os que efetivamente se ordenaram foram pouco mais de 20.
Apesar do pequeno número de freis em quase 50 anos de história, frei Papin destaca a importância da escola. “O seminário ajudou a juventude santa-cruzense a estudar. Hoje temos professores e médicos que receberam formação na escola dominicana. Além disso, sempre recebemos visitas de ex-alunos de várias cidades do País”, revela.
No início, o estudo era dentro do prédio da escola, mas quando o seminário estava prestes a ser fechado, os alunos cursavam escolas estaduais e recebiam os ensinamentos religiosos. Sem o seminário, frei Papin garante que o prédio não está ocioso. “Temos todo o ano cerca de 400 catequizandos, além de utilizarmos salas para reuniões encontros e palestras”, explicou.
Igreja — O Santuário Nossa Senhora de Fátima foi construído depois da escola dominicana. Ele já constava no projeto, mas faltaram recursos. No dia 18 de setembro de 1955, foi lançada a pedra fundamental da construção. O prefeito da época era Cyro de Mello Camarinha. A planta original — do arquiteto Egon Lananger e do engenheiro José Carlos Camarinha — era considerada muito arrojada e não foi executada. Um engenheiro português adaptou o projeto.