AS PORTAS DO INFERNO...

aumentar fonte

FREI ESTEVÃO NUNES

não prevalecerão contra ela (Mt 16,18).  Promessa de Jesus, falando da sua Igreja. E Jesus não engana  nem se engana.
              Um dia, Jesus estava dentro de um barco, com seus discípulos, lá no meio do grande lago de Genesaré, dormindo tranqüilo e sossegado.  Levantou-se um vento muito forte, provocando altas ondas que ameaçavam até de fazer o barco naufragar. Apavorados, os discípulos começaram a gritar:  “Mestre, ajude-nos, estamos afundando”!  Jesus acordou,  tranqüilo como sempre,  chamou a atenção dos discípulos para a fraqueza de sua fé, e ordenou aos ventos que se acalmassem, e fez-se uma grande calmaria.
            A vida da Igreja sempre foi no meio de tempestades.. Desde o início com as perseguições, primeiro dos judeus em Jerusalém, depois de Nero em Roma, depois dos outros imperadores no império romano inteiro. Vieram depois as heresias, depois os bárbaros, depois os mouros. Vieram os séculos negros da decadência da Igreja, da imoralidade na hierarquia, das famílias nobres romanas que elegiam os papas, muitas vezes indignos.  Vieram o cisma do oriente, a reforma protestante, o iluminismo, as filosofias atéias, Napoleão, Hitler, Stalin, etc. Foram tempestades violentas que,  se a Igreja não fosse mesmo divina, teria soçobrado.  Dois mil anos de lutas contra inimigos externos e internos.
            Agora surgiu mais uma tempestade, por sinal  também muito violenta. A pedofilia de que é acusada.  Os jornais, a televisão, as revistas semanais têm um prazer satânico em querer minar fundo os alicerces da credibilidade da Igreja.  Os fatos reais, que existem  ninguém nega,  são multiplicados por 10 ou por 100,  como se a Igreja inteira fosse um antro de perdição; comentam-se os fatos como se somente na Igreja acontecessem, e não em todas as camadas da sociedade e até dentro das famílias.  Criou-se nos Estados Unidos uma verdadeira indústria de indenizações fabulosas que abalaram a economia de muitas Dioceses.
            E como será o final desta tempestade? Tenho certeza, a Igreja sairá purificada e fortificada.
            Não nos esqueçamos:  a Igreja é santa e pecadora. Santa porque tem a sua raiz em Jesus Cristo, que é o Santo por excelência, e sua alma é o próprio Espírito Santo.  Pecadora porque nós os seus membros, seres humanos, somos imperfeitos, limitados e pecadores.  Mas por que generalizar?  O pecado de um membro não é da Igreja. A Igreja é a comunidade dos filhos de Deus que se comprometeram  com Jesus Cristo e procuram seguir seus passos, é o Sacramento de Jesus Cristo no mundo. É nela que brilha a luz daquele que disse “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará  nas trevas” (Jô 8,12).  Neste seu aspecto é objeto de fé: “eu creio na Igreja, uma e santa”. E há tantos membros da Igreja que brilharam no correr dos séculos e brilham também hoje pela santidade
            Mas é também uma sociedade humana, composta por seres humanos. Como tal não é objeto de fé e sim das ciências humanas: a história da igreja, a pedagogia da igreja, a sociologia da igreja, a economia da igreja. Está, portanto, sujeita às limitações e imperfeições dos seres humanos. Está sempre necessitando de reforma. E luta permanentemente pela conversão de si mesma, pela sua purificação, na conversão e na reforma de cada um dos seus membros.
            Não há de que se escandalizar. A humildade nos faz reconhecer suas falhas, mas o amor nos leva a lutar mais e mais, para que esta Igreja que amamos tanto seja cada vez mais comunidade e cada vez menos sociedade, mais santa e menos pecadora. Depende de cada um de nós.

Rua São Daniel, 119 - Vila Brasílio Machado - Alto do Ipiranga - 04288-110 - São Paulo-SP • Tel.: (55 11) 3881 8805 • provincia@dominicanos.org.br

aumentar fonte diminuir fonte